Publicado em 1956, Grande sertão: Veredas, do autor mineiro Guimarães rosa, é narrado e protagonizado pelo ex-jagunço riobaldo, que traz um pouco de suas histórias de lutas, dúvidas e amores no sertão. considerada uma das principais obras da literatura brasileira, destacou-se pelo uso da linguagem popular e regional e por trazer um estilo original de narração. (Clique no livro para mais informações).

A obra também é marcada pela erudição do autor. “Rosa trouxe um pouco de seu conhecimento de mundo para a obra. Ele era um viajante curioso e indagador, conviveu com várias culturas sem jamais perder as raízes sertanejas”, observa a professora e doutora em Letras Teresinha Brandão Chaves. Pode-se dizer que Grande sertão: Veredas é um encontro entre biografia e obra. “Guimarães Rosa tinha o hábito de anotar tudo e, assim, construía seu saber enciclopédico e linguístico, que ele iria utilizar na criação da história. O autor apresenta o sertão árido, em contraste com as frescas e férteis veredas, para apontar os ‘paradoxos incompreensíveis’ da natureza humana. Tudo em sintonia com uma geografia e história virtuais que se expandem do regionalismo para o universal.”

Por que é um clássico? – Para Gilca Machado Seidinger, doutora em Estudos Literários, um clássico é uma obra que mobiliza leitores de diversas idades e culturas, em distintas épocas e lugares, por seu apelo universal. “Ítalo Calvino diria que um clássico será capaz de produzir a impressão de que estamos relendo algo familiar, mesmo quando o lemos pela primeira vez, e que sua releitura trará sempre novas descobertas. Isso também se aplica ao grande romance de Rosa.”

Quais são os temas abordados? – Gilca explica que a obra gira em torno do “homem humano” e sua relação com o mundo, com a natureza, o destino, o amor, o conflito entre o bem e o mal, a linguagem, entre outros temas. Teresinha destaca o tema do “sertão movente”, infinito e perigoso, em uma comparação ao universo e à alma humana.

Sertão regional e o universal – Teresinha observa que Guimarães Rosa aborda a paisagem e o homem do sertão tal como os conhecia, “como se estivessem passando por labirintos, quando, então, capturam os planos universais – temporais, históricos, geopolíticos, culturais, linguísticos”. Conforme o narrador Riobaldo, “o sertão está em toda parte”.

Sobre o autor – João Guimarães Rosa nasceu em 1908, em Cordisburgo, em minas Gerais. Ainda criança começou a estudar línguas. formou-se médico e trabalhou como diplomata. Seus romances, quase sempre ambientados no sertão brasileiro, destacaram-se pela forma como apresentou a linguagem, trazendo influências populares e regionais em contraste com sua erudição.  “Sua obra, sem dúvida, é exemplo de beleza e perfeição gramatical, de criação poética, narrativa e linguística. Ele ocupará sempre um lugar de destaque entre os maiores romancistas da América latina, dando continuidade à sua missão de encantar e surpreender as diversas áreas do saber”, ressalta a professora e doutora em letras, teresinha brandão.