Falar de Elza Soares é chover no molhado, mas é uma chuva que sempre vale a pena aproveitar. Nasceu na favela da Moça Bonita, casou aos 12, ficou viúva aos 21 e ganhou o mundo aos 30. Em outubro, completando 60 anos de carreira, Elza elevo ainda mais sua obra e presenteou mais uma vez o mundo lançando seu primeiro álbum de inéditas, A Mulher do Fim do Mundo.

Contando com uma equipe grandiosa de artistas da MPB e sua voz feroz e metálica, A Mulher do Fim do Mundo pode ser considerado um dos maiores álbuns da música brasileira dos últimos anos. Abrindo o álbum em capela com a música “Coração do mar”, Elza deixa a sua voz rouca, e levemente falha, bem marcada. Quase sem transição, vem a canção que dá título ao trabalho, “A mulher do Fim do Mundo” que diz “Meu choro não é nada além de carnaval, é lágrima de samba na ponta dos pés, a multidão avança como vendaval, me joga na avenida que não sei qual é”, tornando o discurso de Elza ainda mais forte, íntimo e social. Nessa canção, em determinado momento, ela cantarola um “lara lara” que incomoda ao mesmo tempo que surpreende.

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Logo em seguida, fechando a trinca de músicas fortes, vem “Maria da Vila Matilde” que vem sendo considerada um manifesto em que, ao expor uma situação de violência doméstica, torna a mulher, não só vítima, como também protagonista da sua luta, deixando claro que o homem será denunciado e sofrerá as consequências.

O álbum ainda comporta grandes faixas como “Pra fuder”, “Benedita” e “Solto”, repletas de emoção e poesia, tocando fundo suas feridas e nos colocando como ouvintes “cúmplices” da melancolia maravilhosa que é ser a mulher favelada, negra, engajada e guerreira. Ouvimos, sorrimos, dançamos, choramos e sentimos o que é ser Elza Soares. A cantora do milênio. A Mulher do Fim do Mundo.

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